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Análise: I Am Setsuna

Um RPG que não teve muita propaganda, uma capa bem singela, um preço deveras elevado para o conteúdo oferecido (Playstation Store Americana U$39.99 ou R$122,50 na Brasileira). Não há quem pudesse dar valor a um jogo desses, salvo se essa pessoa lesse a descrição e descobrisse que o título foi inspirado no clássico Chrono Trigger. É um puro sentimento de nostalgia e as vezes é tudo o que precisamos para reaprender porque gostamos tanto de sermos o que somos, jogadores.

Ao começarmos a aventura, logo nos deparamos com algo não muito visto atualmente, diálogos totalmente escritos onde avançam ao pressionar de um botão.  Ah e que diálogos! Para quem gosta de um bom roteiro, é um prato cheio. Como os personagens não possuem muitas opções de expressão, tudo fica a base de alguns gestos corporais e do diálogo em si. Não pense que seja algo ruim, é diferente sim, mas você sente o carisma, o drama, a tristeza e até mesmo pode esboçar um sorriso sem fazer muito esforço.


Você começa é claro com o personagem principal, Endir. Esse é um mercenário extremamente habilidoso que recebe a missão de assinar uma jovem garota que mora numa cidade chamada Nive Village. Chegando lá ele localiza sua vítima e antes que possa aplicar o golpe mortal, a garota percebe a situação e o convence de que não é necessário matá-la. A garota então revela ser… Setsuna, uma voluntária a ser sacrificada para manter o acordo de paz com um demônio. Como então, sua vida seria retirada de qualquer forma, Endir decide por baixar sua espada e deixar a peregrinação de Setsuna acontecer. E isso obviamente, é só o começo!


Os personagens são repletos de características próprias que vão agregando cada vez mais a história. Temos muitos NPCs importantes também, porém os personagens jogáveis como de se esperar roubam muito a cena e você mal consegue decidir de qual gosta mais, seja por sua personalidade, seja por suas habilidades. A cada personagem que entra para a jornada de Setsuna, um leque de novas possibilidades se abre para montar novas estratégias de batalha. Primeiramente como esperado, você só pode controlar três membros do seu grupo por vez, mas não se preocupe, todos sempre estão juntos, você só não pode alterná-los dentro das lutas. Cada personagem possui sua especialidade, Endir é perito em ataques físicos, mas também possui técnica de cura. Setsuna é perita em suporte, mas também possui ataques ofensivos. Teremos também peritos em tempo, magia elemental… É realmente muito legal a variedade, principalmente quando combinadas, formando assim combos muito poderosos.

O combate por turnos deve servir como uma luva para qualquer jogador da velha guarda, sendo o conhecido sistema Active Time Battle. Existem três opções quando a barra de espera de cada personagem é preenchida: Ataque, Técnicas/Combos e Itens. Uma das técnicas por curiosidade de Endir, é Cyclone, mesma de Crono em Chrono Trigger.

Um dos pontos mais interessantes é o nível de personalização que não se limita em escolher com quem você vai jogar, mas de quais técnicas você utilizará, quais talismãs que garantem bônus você equipará, se vale a pena equipar uma nova arma ou melhorar a atual. Ainda temos alimentos especiais que poderão ser usados para aumentar a probabilidade de drop, experiência… Fora que para conquistar tudo isso você deverá atravessar cavernas, montanhas, florestas em busca de ingredientes para que algum NPC faça esse alimento ou ainda que o Mago desenvolva para você uma nova técnica.

Um diferencial está nas técnicas que não são compradas, mas trocadas por materiais, então é necessário que você consulte o Mago e veja quais materiais são necessários para formá-la. Justamente esses materiais que lhe fornecerão o dinheiro do jogo, pois o Mago compra os materiais e disponibiliza as técnicas para você de graça. Já armas e talismãs são adquiridos apenas comprando ou encontrando em baús espalhados pelo mapa. Outra coisa importante são os itens que você pode utilizar dentro e fora das batalhas, é sempre bom organizar bem seus suprimentos, para poder se recuperar de envenenamentos, paralisia e todas aquelas lesões de batalha que incomodam, como também para escapar de possíveis inimigos dos quais você ainda não pode vencer.


Inimigos são muitos por sinal, existem várias espécies e sub-espécies distribuídas por todos os locais, são todos visíveis e como se movimentam, é possível algumas vezes desviar dos mesmos mantendo certa distância. Cada espécie possui habilidades próprias, e cada sub-espécie possui um grau de poder diferente, alguns inclusive engoliram as pedras que fornecem as técnicas do jogo e são extremamente fortes, devendo ser evitados até seu grupo ter um nível mais elevado. Chefes também são bem variados e podem dificultar muito as coisas, por sorte sempre existe um ponto de salvamento antes deles. Ah e os saves são importantes, porque se os três membros do grupo desmaiarem, é game over. O bom, é que no mapa você pode salvar a cada instante e utilizar itens restauradores de MP/HP que são muito mais baratos dos utilizados dentro das batalhas.


O mapa do jogo se resume a uma grande continente rodeado por algumas ilhas, a ambientação é toda voltada para um clima gelado e a neve predomina os cenários. Na maior parte dos lugares, você acaba deixando um rastro de pegadas no chão que vão desaparecendo conforme o tempo passa e mais neve cai.

A trilha sonora é realmente linda e aconchegante, remetendo as antigas melodias que jogávamos na época do SNES. Algo triste para os brasileiros é que o jogo foi localizado apenas em inglês, o que infelizmente faz com que muita gente que não entende o idioma fique sem jogar, afinal, jogar um RPG sem entender os diálogos não é possível.

O jogo é realmente único e agrada como um todo, porém os cenários e gráficos poderiam ser muito melhores, estamos numa era onde é possível fazer cenários extremamente detalhados e isso não acontece em I Am Setsuna, é tudo muito simples. Em defesa da Square Enix, talvez o clima de neve que remete a tristeza vivida na trama e a simplicidade tenha sido seu objetivo, para variar focar na história, não nas qualidades gráficas que a maioria dos jogadores de hoje preferem. Mas seguindo nessa linha de raciocínio… O jogo teve cerca de 1 ano de produção e o seu preço poderia então ser mais singelo em nossos bolsos também.

Ígara Ferreira
Ígara Ferreira é uma jovem nerd catarinense de 20 e poucos anos, mais conhecida pelos amigos como “Lady ou Monstra” por causa da sua vida de caçadora de troféus nos vídeo games. Adora ler, é viciada em séries norte americanas, filmes de super heróis e comida boa, daquelas que engordam!
Um RPG que não teve muita propaganda, uma capa bem singela, um preço deveras elevado para o conteúdo oferecido (Playstation Store Americana U$39.99 ou R$122,50 na Brasileira). Não há quem pudesse dar valor a um jogo desses, salvo se essa pessoa lesse a descrição e descobrisse que o título foi inspirado no clássico Chrono Trigger. É um puro sentimento de nostalgia e as vezes é tudo o que precisamos para reaprender porque gostamos tanto de sermos o que somos, jogadores. Ao começarmos a aventura, logo nos deparamos com algo não muito visto atualmente, diálogos totalmente escritos onde avançam ao pressionar de um botão.  Ah e…
Gráficos - 6
Jogabilidade - 10
Trilha Sonora - 10
Replay - 8
Diversão - 9

8.6

User Rating: 5 ( 1 votes)

Ígara Ferreira
Ígara Ferreira é uma jovem nerd catarinense de 20 e poucos anos, mais conhecida pelos amigos como "Lady ou Monstra" por causa da sua vida de caçadora de troféus nos vídeo games. Adora ler, é viciada em séries norte americanas, filmes de super heróis e comida boa, daquelas que engordam!

4 comments

  1. Ricardo Lima Ricardo Lima disse:

    Lindo review lady.
    Parabéns e imagino q deve ter platinado.
    Turnos…. Turnos…..

    • Ígara Ferreira Ígara Ferreira disse:

      Devidamente platinado. A platina é muito tranquila por não ter troféu perdível, mas nota, não é que basta terminar a história, e sim que você pode ir atrás das pendências depois. O troféu mais chato é o de Flux, um especial que deve ser ativado em meio as técnicas e precisa dar sorte para ele se juntar na técnica.. Sendo necessário fazer a ação 200x.

      De resto é praticamente ir atrás de alimentos que faltaram, as técnicas especiais de cada membro da equipe pra liberar o chefão na sua forma perfeita (através de torres de desafio). Tem umas 2 lutas 1×1 que podem dar um pouco de trabalho. Mas de resto após liberar o último personagem, da pra montar um combo bom demais.

  2. Ricardo Dias Ricardo Dias disse:

    Se não fosse o alto valor proposto para o game,eu já o teria comprado. Vou esperar alguma promoção e pegar em um preço mais justo. Mas eu, amante de J-RPG e game por turnos, estou louco de vontade de joga-lo. Preciso reviver o sentimento de jogar um game simples, porém rico em enredo e carisma.

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